A luta do povo annobonese para sobreviver ao extermínio silencioso do regime de Obiang chegou a um dos países-chave da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O Primeiro-Ministro no exílio, Lagar Orlando Cartagena, fez um apelo urgente à solidariedade internacional.
A crise humanitária que afecta a ilha de Annobón, território historicamente ligado à Lusofonia e actualmente ocupado pela Guiné Equatorial, Foi retratado de forma grosseira por vários meios de comunicação brasileiros, como Revista Galileu, Correios do Estado y Jornal Opção Em artigos publicados nos últimos dias, os textos contêm depoimentos importantes do primeiro-ministro do Governo Provisório de Annobón, Orlando Cartagena Lagar: "Somos vítimas de extermínio".
“Não somos políticos profissionais. Somos filhos e filhas de Annobón, que não podemos mais permanecer em silêncio diante do abandono e da violência lenta que nossa terra sofre”, explicou o oficial. Com essas palavras, Lagar descreveu o desespero de um povo devastado por uma política de despovoamento deliberado. A ilha, carente de serviços básicos como saúde, educação, eletricidade, água potável e transporte, vive uma situação crítica, com jovens forçados ao exílio e uma população submetida ao abandono institucional e à repressão militar.

A mídia brasileira enfatiza a natureza pacífica e legítima do movimento anobonês, que proclamou sua autodeterminação em 2022 após anos de repressão étnica, desaparecimentos forçados e militarização da ilha.No entanto, essa luta não começou recentemente. Lagar enfatiza que a resistência annobonesa tem raízes profundas: já em 1976, um grupo de anciãos e pescadores partiu para o mar em uma canoa. Kindjadja, remando durante oito dias até o Gabão para se apresentar ao Organização das Nações Unidas e os Estados Unidos a situação de abandono, fome e epidemias que assolavam a ilha. Essa carta, agora desclassificada por WikiLeaks, resume o espírito desta luta histórica: “Nosso caso não é de secessão, mas de simples sobrevivência.”
Apesar desses apelos, Annobón não tem nenhum embaixador ou representação diplomática nos países da CPLP há quase 60 anos. Lagar relata que, mesmo após a Guiné Equatorial ter se juntado à comunidade lusófona em 2014, nenhum estudante de Annobón recebeu bolsas de estudo, nem lhes foram oferecidos programas de cooperação ou intercâmbio. "Não temos representação nem voz no Brasil, em Angola ou em qualquer país da CPLP. Somos um povo lusófono sem voz no mundo lusófono", lamentou.
Os jornalistas Felipe van Deursen y Giovanna Campos Eles também ressaltam que Annobón possui profundos laços culturais e históricos com a lusofonia, especialmente com o Brasil, Angola e São Tomé e Príncipe, por ter sido uma ilha colonizada por Portugal e falar uma língua crioula de origem portuguesa. "A cultura Annobón é o único elo real entre a Guiné Equatorial e o mundo lusófono. E é justamente essa cultura que está sendo reprimida", esclareceu.
Segundo Lagar, o regime de Obiang usou o legado cultural de Annobón como um "cavalo de Troia" para conseguir a adesão da Guiné Equatorial à CPLP em 2014, explorando simbolicamente a identidade de Annobón como uma porta de entrada para o mundo lusófono.No entanto, uma vez alcançado seu objetivo, essa mesma identidade foi perseguida, silenciada e eliminada da vida institucional do país, enquanto a ilha permanece isolada, sem direitos e sem presença real na comunidade que supostamente a representa.
A CPLP não pode — e não deve — permitir que o regime de Obiang, que não tem laços históricos ou culturais genuínos com a lusofonia, continue a usar Annobón como um instrumento de manipulação simbólica para se infiltrar e subverter, a partir de dentro, os princípios fundadores desta organização.ção. Caso contrário, corre o risco de se tornar uma Comunidade de presidentes Língua Portuguesa, em vez de uma verdadeira Comunidade de Países e Povos de Língua Portuguesa.
O primeiro-ministro também denunciou a total falta de acesso a bolsas de estudo, programas de intercâmbio ou apoio institucional de países de língua portuguesa: "Esperamos que o Brasil, como uma nação influente com raízes comuns, possa ouvir nossos clamores".
O artigo conclui com um apelo direto ao governo Lula da Silva e ao povo brasileiro: Annobón precisa ser ouvido. O Brasil, como um país significativo na CPLP e com profundos laços históricos com a África, tem um papel crucial a desempenhar. "Grande parte da nossa sobrevivência depende disso", alertou.




