O governo da República de Annobón emitiu um forte manifesto de indignação e rejeição pelos últimos acontecimentos ocorridos durante as celebrações das festividades do padroeiro da ilha em Palé. Esta declaração surge em resposta ao que descrevem como uma série de actos denegridores e violações sistemáticas dos direitos humanos cometidos pelo governo da Guiné Equatorial.
Desde a incorporação administrativa de Annobón na Guiné Equatorial, a ilha sofreu um abandono prolongado, falta de comunicação e uma cadeia ininterrupta de violações dos direitos fundamentais dos Anoboneses. “A fome, a miséria e a morte são os elementos essenciais da nossa triste coexistência com os ocupantes guineenses”, afirma o comunicado, destacando que os habitantes de Annobón nunca foram tratados como iguais sob a mesma bandeira, mas sim como súditos coloniais.
Confrontados com mais de meio século de exclusão política, económica e social, os Anoboneses procuraram autonomia política administrativa para gerir o seu território. Contudo, as tentativas de diálogo com o regime ocupacional da Guiné Equatorial foram recebidas com desprezo e silêncio. Em vez de atender às aspirações autonomistas, o governo invasor intensificou as agressões, aumentando a presença militar e autorizando práticas de guerra suja, estupros, sequestros e humilhações.
Através de um comunicado oficial, o governo da República de Annobón denunciou que o estado da Guiné Equatorial tem utilizado estas tácticas para manter uma ocupação opressiva na ilha, culminando na declaração da independência anobonesa em 8 de julho de 2022. «A À medida que nos aproximamos No segundo ano da nossa declaração, o estado e o governo da Guiné Equatorial não demonstraram respeito nem colaboração e continuam a aumentar os ataques”, afirmaram as autoridades da ilha, destacando a falta de acesso aos serviços básicos e a desintegração da sua sociedade e cultura.
Durante as recentes festividades de 13 de Junho, que celebram a cultura e as tradições anobonesas, a interferência da Guiné Equatorial atingiu níveis alarmantes. O governo enviou materiais humilhantes e transformou as celebrações num espetáculo degradante, com elementos da sua tribo agindo de forma inadequada perante a comunidade anobonesa. “Este gesto organizado pelo Estado da Guiné Equatorial mostra que não pode apoiar o avanço político e cultural dos Anoboneses”, afirma o manifesto.
Além disso, o documento acusa o governo equatoriano-guineense de enviar predadores sexuais a Annobón para promover a prostituição impunemente, pervertendo a sociedade anobonesa e vendendo sexo publicamente. “A humilhação do povo de Annobón chegou hoje na forma de um strip-tease dos colonos Fang, uma zombaria da nossa cultura com o apoio do governo”, diz o manifesto, destacando a venda de drogas e a prostituição infantil como parte de um plano de extermínio contra a mentalidade do povo de Annobón.
O governo Annobón conclui o seu manifesto apelando à comunidade internacional para que tome consciência da gravidade da situação e aja em defesa dos direitos e da dignidade do povo anobonês.




