Outra notícia grave abala a República de Annobón, expondo uma nova escalada na ocupação e repressão por parte do regime da Guiné Equatorial.
O geral Pedro Eyene Nguema, conhecido pelo seu envolvimento na tragédia de Kuantoma em Bata, foi nomeado pelo vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, para declarar toda a zona costeira do norte e noroeste de Annobón, incluindo Playa de Amor, como zona presidencial.
As autoridades do regime, lideradas por Olho e o governador Faustino Edu Micha See More, exigem que os residentes destas zonas apresentem os seus documentos de habitação em troca de uma indemnização mínima, obrigando-os a abandonar as suas casas. Esta medida faz parte de uma campanha agressiva de ocupação ilegal de terras, que gerou profunda tensão na já deteriorada relação entre a República de Annobón e o regime subsidiário de ocupação colonial da Guiné Equatorial.
Deslocamento forçado e ocupação de terras
As quintas, principal fonte de alimentação dos anoboneses e transmitidas de geração em geração, estão a ser ocupadas por famílias Fang enviadas para a ilha nos últimos meses. Estas famílias, conhecidas como pamwes-fang, estão a ser subsidiadas para justificar a sua presença e garantir a ocupação das terras. Como AMBÔ LEGADU apurou através de declarações dos próprios invasores, é o vice-presidente do regime da Guiné Equatorial quem lhes paga para se instalarem em Annobón com o objectivo de se apoderarem dos campos aráveis e das casas dos cidadãos locais, apoiados pelos militares do regime.
Cada pamwes-fang que concorda em mudar-se para Annobón recebe salário, alojamento e protecção dos militares invasores, consolidando assim o controlo do regime sobre a ilha.
Deslocamento de líderes anoboneses e controle econômico
A situação agrava-se com a expulsão de empresários anoboneses do PDGE, como Dâmaso Coral Zamora y Salas de Adoração Chonco, de todas as empresas dependentes do Estado. Estas empresas, hoje controladas pela Olho y Miquéias, tornaram-se centros de lavagem de dinheiro para o vice-presidente e seu círculo próximo. Os altos funcionários do regime guineense assumiram o controlo de todas as empresas de manutenção fictícias em Annobón, deixando os anoboneses - tanto aliados como inimigos - fora da paisagem económica local.
Uma ameaça existencial
Desde 1963, quando a Guiné Equatorial ganhou a sua autonomia, passaram quase cinco décadas sem que um presidente guineense pusesse os pés em Annobón, período durante o qual os anoboneses sobreviveram sem a intervenção do governo central. No entanto, agora que a República Annobón declarou a sua independência, o regime guineense parece determinado a esmagar qualquer tentativa de autonomia.
As referências ao genocídio no Ruanda como precedente para intimidar os Anoboneses sublinham a gravidade da situação. As ameaças de extermínio pelo regime ocupacional são uma realidade grave e preocupante, que requer a atenção urgente da comunidade internacional.




